AULA DE CIÊNCIAS: SME investe em novo método para o letramento científico

Rodrigo K.
Fotos: Vanderson Padilha
 
Na metodologia ‘Lesson Study’, ou Pesquisa de Aula, alunos são incentivados a resolver situações baseadas em hipóteses levantadas por eles mesmos. É uma introdução ao pensamento científico aplicado para o Ensino Fundamental.
 
A Secretaria Municipal de Educação está ampliando o uso da Metodologia Lesson Study – Pesquisa de Aula – para aprimorar o ensino de Ciências da Natureza praticado pela rede nas escolas públicas municipais. A ideia é formar professores para obter melhores resultados na aprendizagem. Nos últimos dias, mais atividades de Pesquisa de Aula foram realizadas, nas Escolas Municipais Felício Francysquini, na turma do 2º ano, com alunos de sete anos, e Zair Santos Nascimento, no 3º ano. O estudo foi sobre as plantas e o processo da fotossíntese. A aula foi observada por até 15 professores.
 
Em aulas anteriores, os alunos estudaram sobre o crescimento das plantas, raízes e medicinas. Na aula observada, o desafio da turma era formular hipóteses sobre o que havia acontecido dentro de três caixas onde haviam sido semeados três pés de feijão: uma aberta, outra semiaberta e outra totalmente fechada. O que teria acontecido em cada uma? Por meio de desenhos e explicações verbais, os grupos formularam suas hipóteses. A próxima etapa chama-se ‘tateamento’, onde se observa o resultado do experimento. Nesta revelação, as plantinhas haviam se desenvolvido de diferentes formas. Algumas morreram, outras cresceram e algumas sequer brotaram. Então, por que cada uma estava diferente? Os alunos passaram a investigar as causas.
 
Neste formato, busca-se o protagonismo das crianças. O professor oferece mais questionamentos do que respostas. Assim, os profissionais precisam escapar da tradição conteúdo/prova escrita e aplicam uma didática diferente, individualizada, conta a professora da turma, Alessandra de Fátima Boianoski Ferreira. “Eles chegaram às próprias conclusões com a observação, o tateamento, observando como foi o crescimento das plantas em uma caixa aberta, outra semiaberta e uma fechada, para que concluíssem eles mesmos como funciona o processo da fotossíntese”, sintetiza.
 
O aluno Enzo Maczenski participou da aula. “As plantas não pegaram a luz do sol, por isso não cresceram. Porque se elas não pegarem a luz do sol, elas morrem”, concluiu. Stefany Fagundes Cordeiro apontou que na sua caixa também houve outro problema. “Foi tudo bem legal. Também acho que foi colocado muita água, porque aí a plantinha também morre. Mas na caixa não tinha nenhum buraco para entrar a luz do sol, por isso a plantinha morreu”, afirma ela.
 
Para a professora Fabiane Fabri, a aula permite o protagonismo do aluno. “O professor foi um mediador. É uma nova forma de ensinar Ciências. Nesta aula eles passaram por todo o processo, formularam as hipóteses, viram o processo da germinação do feijão nos três ambientes diferentes e, quando voltaram à conclusão, conseguiram realizar o objetivo da aula, revisitando as hipóteses que tinham levantado no primeiro momento”, comenta Fabri.
 
Maria de Fátima Mello Almeida, coordenadora do projeto Lesson Study na SME, aponta que os alunos usam mais a curiosidade e a reflexão, construindo seu conhecimento de maneira mais sólida, pela surpresa por descobrir o que ainda não se sabia. “Foi muito rico quando as crianças disseram ‘uau’, ao notarem que a planta vai buscar a luz que passa por uma pequena abertura na caixa. Eles descobrem o conhecimento com espanto e alegria, com apoio do professor”, anota.
 
Formação dos professores
amplia o horizonte infantil

Lilian Bacich, bióloga e representante da parceria Tríade Educacional/Fundação Lemann, acredita que os professores estão “empoderados” com a formação. Além das escolas que participam ativamente das aulas observadas, os profissionais já estão gerenciando e compartilhando as práticas. “Houve um crescimento incrível das professoras envolvidas nessa formação. A gente percebe o quanto elas estão mais voltadas para pesquisar o conteúdo da sala de aula e de que maneira elas podem potencializar esse conteúdo”, observou ela.

Com foco na formação dos professores, o processo aponta para um melhor letramento científico por parte dos alunos. “Trabalhamos para que o aluno possa entender a aplicação dos conhecimentos na vida, fazendo uma leitura da ciência para além dos conceitos. Pelos relatos das professoras e pelo que pudemos observar, eles estão mais confiantes para estabelecer essas relações. Percebemos o impacto na formação dos professores e também percebemos claramente que isso está chegando para as crianças”, considera Lilian.