Prevenção bucal de bebês será implantada nas unidades de saúde

5 agosto, 2008 - 17:01  

Depois de três anos de realização na Unidade de Saúde Roberto Portela, no Ronda, o projeto “Saúde Bucal: Prevenção oral de crianças de 0 a 3 anos”, pioneiro no Brasil, começa a ser estendido a outras unidades de Ponta Grossa. A Prefeitura pretende implantar o projeto em todas as unidades de saúde da cidade, conforme informações da coordenação de Pediatria da Secretaria Municipal de Saúde. O projeto, de iniciativa do dentista Geraldo Stocco –, que integra a Estratégia Saúde da Família –, com apoio da administração municipal, objetiva o acompanhamento da freqüência dos bebês de 0 a 3 anos de idade no consultório odontológico e o controle da cárie. Não são somente as crianças o foco do projeto de Stocco. Ele inclui orientações às mães desde o período da gestação e da puerilcultura do bebê. “Em palestras falamos para as gestantes sobre a importância de uma boa alimentação e a amamentação, fator muito importante para dentes sadios”, diz Stocco. A partir da primeira avaliação com o dentista, as crianças passam a ser acompanhadas periodicamente na unidade básica de saúde. Ao final de cada consulta, a próxima já é agendada na carteira de vacinação da criança. Foi assim com Emili Carrani dos Santos, de 2 anos. Sua mãe, Daiana da Luz, recebeu a indicação do acompanhamento odontológico na puericultura, quando a menina tinha um mês. “Aprendi muito aqui. Faço a escovação correta dos dentes dela, conforme me orientaram”, diz a mãe. O resultado é uma consulta rápida, justamente porque a saúde bucal da menina está perfeita. Emili tem os dentes sadios e nenhuma indicação de cárie ou qualquer outra doença odontológica. A menina voltará ao consultório em dezembro, numa consulta já agendada na carteira de vacinação. RESULTADOS Apesar de ser uma criança de apenas 2 anos de idade, Emili correria sérios riscos caso não houvesse esse acompanhamento. Esse perigo foi constatado no projeto de Stocco. Quando foi implantado, há três anos, cerca de 80% das crianças com dentes de leite apresentavam cáries. Segundo ele, era muito comum também o tratamento de canal em meninas e meninos em torno dos 6 anos de idade. Ainda hoje, para as mães ainda descréditas de que isso realmente pode acontecer, ele mostra fotos de bocas de crianças de 2 e 3 anos de idade com os dentes cariados. Hoje os resultados são outros. Segundo ele, 96% das crianças atendidas no posto da Ronda são acompanhadas por ele. Dessas, 83% não apresentam cáries e apenas 17% têm cáries iniciais que podem ser tratadas de imediato. Para isso, ele conta com material de primeira linha na área de odontopediatria para reverter eventuais problemas. O projeto foi implantado em 2005. Durante esse tempo Stocco pode acompanhar periodicamente crianças desde o primeiro mês de vida até os três anos. E ele quer mais. “A idéia é que as essas crianças cheguem à escola sem cárie. Isso provará que os cuidados com os dentes continuam mesmo depois da idade limite do projeto”, diz. Segundo ele, fica também para os pais a consciência da importância dos cuidados com os dentes dos filhos. No próximo sábado (dia 9), ele aproveitará a campanha da Vacinação contra pólio para marcar mais consultas. “Em dias assim chegamos a marcar de 60 a 80 consultas, mas no dia da avaliação apenas metade comparece”, diz. Entra aí outra fase do projeto, que são os agentes comunitários, que saem atrás das mães que faltaram e explicam a importância do acompanhamento. O trabalho de Stocco já é reconhecido nacionalmente e integrou o livro “Saúde Bucal da Família: trabalhando com evidências”, de autoria de dentistas respeitados em todo o país. “Lembro que em 2005, quando o Ministério da Saúde ainda pensava em implantar um projeto semelhante no país, em Ponta Grossa já atendíamos a cada semana de 8 a 10 crianças de 0 a 3 anos de idade”, diz Stocco.
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Publicado por Érica Busnardo
 
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