Prefeitura Municipal de Ponta Grossa (http://www.pg.pr.gov.br)
PG fecha o ano livre da dengue
Publicado por Edgar Hampf
Criado 28 dez 2006 - 15:49

Durante todo o ano de 2006 – pelo menos até o dia 28 de dezembro – não foi registrado um único caso de dengue em Ponta Grossa. Os registros da coordenação local do Programa Nacional de Combate à Dengue mostram, no entanto, que o principal vetor da doença, o mosquito aedes aegÿpti, está presente em diversas regiões de Ponta Grossa. Conforme o coordenador regional, veterinário Leandro Monteiro Inglês, quatro localidades da cidade foram ‘positivadas’. Isto é, em quatro regiões, os fiscais do programa encontraram larvas ou o mosquito já adulto. Pior: dessas quatro regiões, em três delas houve pelo menos dois casos. Porém, apesar da presença do mosquito, a situação é muito melhor do que a verificada em 2005. Naquele ano, conforme consta nos registros da saúde, o mosquito ou suas larvas foram encontradas em mais de uma dúzia de localidades, inclusive na região Central de Ponta Grossa. “Está bem melhor este ano, sem dúvida”, atesta Leandro, lembrando que as ações preventivas adotadas pela própria comunidade, em atendimento às orientações das autoridades, foram suficientes para fazer frente a essa ameaça. Para o ano de 2007, a estratégia da coordenação local do Programa Nacional de Combate à Dengue é continuar atuando na prevenção. “Se a cidade não tem nenhum caso, esperamos que continue não tendo”, reforça Leandro Inglês, lembrando que o momento crítico, em termos de risco de contaminação, está se aproximando: com o pico do verão, chuvas freqüentes e temperaturas elevadas favorecem a proliferação de mosquitos. Entre esses, além do pernilongo comum, também está o transmissor da dengue, o aedes aegÿpti. Doença pode matar Integrante da mesma família de vírus que causa a febre do Nilo Ocidental, a encefalite japonesa e a febre amarela, a dengue é uma doença potencialmente fatal e para a qual não existe vacina ou tratamento, apesar das estimativas de que ela atinge pelo menos 50 milhões de pessoas por ano. Aqueles que sofrem de casos agudos têm uma febre dolorosa e apresentam uma letargia debilitante. Cerca de 1% dos pacientes desenvolve febre hemorrágica ou entra em choque, apresentando, às vezes, sangramento gastrintestinal e, em casos raros, hemorragia cerebral. Ao contrário de outras doenças tropicais, como a malária, que ocorrem somente em áreas rurais ou em favelas urbanas, a dengue é transmitida por mosquitos que se propagam em cidades modernas, limpas e prósperas, em regiões de clima quente e úmido. As duas espécies de mosquito que são vetores da dengue, o Aedes aegypti e o Aedes albopictus (encontrado no sudoeste asiático), são capazes de se reproduzir em poças minúsculas de água em casas e jardins, assim como em frascos plásticos e tampas que com freqüência coalham a paisagem urbana. Se uma fêmea do mosquito picar uma pessoa já infectada com a dengue, ela pode transmitir o vírus para o próximo indivíduo que for picado. Se, a seguir, esta pessoa viajar para um outro país que possua mosquitos Aedes, ela pode, inadvertidamente disseminar ainda mais o vírus. Apelidada de "febre quebra-ossos" quando foi diagnosticada pela primeira vez, três séculos atrás, devido ao fato de causar dores extremas nas juntas, a dengue começou a se difundir globalmente a partir da Ásia durante a 2ª Guerra Mundial, quando o vírus viajou com os exércitos combatentes de país a país. Depois da guerra, o mosquito Aedes e a dengue floresceram juntamente com o rápido crescimento populacional asiático e a urbanização do continente, sendo, a seguir, transportado a bordo de navios e aviões para a África e o Mediterrâneo. Quando o uso do inseticida DDT foi interrompido na América Latina na década de 1970, após a aparente erradicação da febre amarela, que também é transmitida pelos mosquitos Aedes, a dengue se fez presente no Novo Mundo. Um fato que complica as medidas de prevenção é que 90% dos indivíduos infectados pela dengue só desenvolvem sintomas leves, ou chegam até a não apresentar sintoma algum. Esses indivíduos funcionam, desta forma, como reservatórios involuntários para o vírus. E mesmo aqueles que caem doentes são capazes de transmitir a infecção dias antes da aparição dos sintomas, o que torna inútil submeter os pacientes com dengue a quarentenas, dizem os especialistas. Os pesquisadores estão divididos quanto a uma explicação para o fato de as epidemias estarem aumentando em dimensão e em virulência. Embora a popularidade das viagens internacionais aéreas seja um dos catalisadores da doença, alguns acreditam que o aquecimento global está expandindo o habitat do mosquito Aedes. Várias vacinas contra a dengue já foram desenvolvidas, mas os testes devem demorar até sete anos. Além disso, esses testes são complicados devido a um dos outros paradoxos da dengue: como há quatro variedades do vírus, aqueles indivíduos infectados por uma delas parecem se tornar susceptíveis a uma reação hemorrágica caso sejam infectados por qualquer das três outras variedades. Portanto, qualquer possível vacina precisa ser efetiva contra as quatro variedades simultaneamente. Até que os pesquisadores tenham sucesso, a única esperança de redução dos surtos da dengue é o controle da população de mosquitos. Ou seja, a prevenção.

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